Mestranda da UFU apresenta pesquisa sobre o geógrafo Jean Gottman na China
Publicado: 18/11/2025 - 16:57
Última modificação: 18/11/2025 - 16:58
A mestranda apresentou o trabalho intitulado 'Jean Gottmann in the seam of american pragmatism in the 1940s: Geography between French and the United States of America'. (Foto: arquivo pessoal)
Entre 14 e 18 de julho, aconteceu em Xangai, na China, a 18ª Conferência Internacional de Geógrafos Históricos. O evento foi organizado pela Comissão de História da Geografia da União Geográfica Internacional, em conjunto com o Instituto de Geografia Histórica Chinesa da Universidade Fudan, e tem como propósito promover a discussão a respeito da geografia histórica moderna e seus processos. Este ano, o tema central da conferência foi “Geografia Histórica: por um Planeta Diversificado e Sustentável” e foram desenvolvidos debates sobre três principais tópicos, sendo eles: clima e desastres, espaço político e cultura e sociedade.
A mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Giovana Monteiro Pavanelli, foi uma das participantes da conferência, representando o Brasil e a universidade internacionalmente, a única estudante de mestrado a fazer parte da comitiva brasileira. Pavanelli apresentou parte de sua pesquisa de dissertação, que se caracteriza como uma análise do conceito de território desenvolvido por Jean Gottmann no livro "The Significance of Territory", de 1973.

Pavanelli, à esquerda, com sua orientadora de mestrado (à direita), a professora Rita de Cássia Martins de Souza. A pesquisa teve início ainda na graduação quando Souza orientou a estudante em duas iniciações científicas. (Foto: arquivo pessoal)
A mestranda comenta que, entre os vários autores que ela poderia utilizar como ferramenta para entender as mudanças e as tendências no campo da geografia, Gottmann chamou a atenção por fazer uma migração entre os Estados Unidos e a França. Em suma, Gottmann foi um dos pesquisadores que utilizou seu trabalho dentro de grupos interdisciplinares no Departamento de Guerra dos Estados Unidos para contribuir na mudança das tendências do campo da geografia como um todo.
O artigo enviado para a conferência aborda o pragmatismo norte-americano na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, e o papel que alguns geógrafos franceses tiveram dentro do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, utilizando Gottmann como exemplo. Discutindo também como, durante a Segunda Guerra Mundial, foram financiados estudos na área da geografia sendo assim utilizada como pesquisa de grande porte e como parte do complexo militar-industrial-acadêmico, além dos impactos diretos e indiretos na geoestratégia norte-americana durante a guerra e, consequentemente, o avanço da geografia pragmática.
“Ter brasileiros envoltos e dedicados à pesquisa científica nessa área de geografia histórica e também da história da geografia é essencial, inclusive para o cenário internacional, tanto que a próxima conferência internacional de geógrafos históricos vai ser no Rio de Janeiro, em 2028. Então vai ampliar ainda mais a importância dessa pesquisa brasileira e dessa perspectiva brasileira no cenário internacional”, acrescenta Pavanelli.
A conferência contou com mais de 500 participantes de diferentes países e regiões do globo, tornando-se o maior encontro da história do evento. O encontro teve oito palestras principais e 105 sessões paralelas, que envolveram os participantes em debates aprofundados sobre assuntos relacionados à temática principal.
“Ter sido selecionada para apresentar o trabalho na conferência já é, para minha vida acadêmica, de uma expressão indescritível, porque, se tratando de um dos maiores eventos da área, foi uma possibilidade de eu conversar, de estar entre pares, de estar entre outros pesquisadores que também são especialistas na área, com diversos professores do mundo inteiro e discutir outras pesquisas também, outras perspectivas, e isso traz uma bagagem de diversidade dentro do âmbito acadêmico, que é essencial à cuidada científica”, reflete a mestranda
“Além do sonho realizado de vivenciar a China, foi um desafio que eu me propus e que foi alcançado. Então, essa sensação de dever cumprido em ir ao evento, em apresentar minha pesquisa em inglês, de atravessar todas essas barreiras e poder ampliar o meu leque de possibilidades para os próximos desafios, que são pessoais, mas que, consequentemente, se tornam acadêmicos”, finaliza Pavanelli.
A reportagem foi exibida pelo Portal de Notícias da UFU e está disponível em: Mestranda da UFU apresenta pesquisa sobre o geógrafo Jean Gottman na China | Comunica UFU
